Acessibilidade zero

Das 23 faixas para travessia de pedestres pintadas até o momento, nas marginais do Rio Pirapora, apenas duas estão em locais que garantem acessibilidade a cadeirantes. Foi o que constatou levantamento da Folha de Piedade Online, realizado na manhã desta terça-feira (15). Após polêmica na Internet sobre a pintura de faixa em local onde não havia possibilidade de atravessar, nossa reportagem foi a campo para averiguar como esse serviço tem sido realizado. O local foi recentemente recapeado por uma empresa contratada pela Prefeitura.

Foram constatadas que as duas vias da marginal contam com pouco mais de duas dezenas de trechos para pedestres – a maior parte deles na Avenida Antônio Corrêa da Silva (marginal direita). Esse número, todavia, deverá ser maior. Marcações em diversos pontos mostram que, provavelmente, aqueles lugares também receberão demarcação.  Segundo o governo municipal, a mesma empresa que executa o recape é responsável pela sinalização de solo. Ela, inclusive, teria sido notificada para remover a faixa que viralizou na Internet e “levava” o pedestre da calçada para um muro da praça de eventos da Vila Maria.

A pintura foi apagada, mas os problemas não param por aí. O mais agudo deles diz respeito à acessibilidade. Cadeirantes e pessoas idosas enfrentam dificuldades para se locomover, em segurança, de uma margem a outra. No total, são 16 pontos de travessia – levando em conta os trechos recapeados. Desses, dois estão em conformidade com as leis de acesso e outros dois contam com rebaixamento de guia apenas de um lado. As outras 12 faixas consistem em um catálogo de obstáculos.

A altura do meio-fio é o mais comum deles. Há, porém, outras barreiras. Em um determinado local, o transeunte depara-se com um poste ao final da faixa, do lado direito. Para quem vai ao outro lado – na direção esquerda –, a coisa fica ainda pior. Quem consegue enfrentar uma guia bastante alta tem o “segundo round” com mais um degrau para obter acesso ao passeio público.

Constatou-se, ainda, a existência de faixas elevadas com grandes desníveis que formam vales em suas extremidades. Outros casos desafiam a lógica e o bom senso, como a pintura de sinalização para pedestres ao lado de uma rampa de acesso a cadeirantes. Em outro trecho, ao invés de rebaixar as guias, improvisou-se pequenas abas de concreto para que ciclistas tenham mais segurança.

Na Avenida Raimundo Nonato Leite, até o momento, há apenas sete faixas, com duas delas dotadas de condições de acessibilidade total e outras duas com rampa apenas em um dos lados. Marcações no asfalto mostram que o local deverá ganhar novos trechos para travessia – muito provavelmente, sem condições favoráveis aos portadores de necessidades especiais.

 

Transtornos – O motorista de caminhão Antônio Costa dos Santos está todos os dias na marginal da Avenida Antônio Corrêa da Silva. Ele diz ter presenciado a dificuldade do povo, devido à falta de condições de acesso. “Esta aqui, por exemplo, está irregular”, comenta, apontando para uma faixa elevada. Segundo Santos, a estrutura é muito alta para permitir o trânsito de cadeirantes e pessoas de idade avançada.

“Para diminuir a velocidade dos carros que passam por aqui, é válido”, reconhece. “Mas, para as pessoas que têm dificuldade de mobilidade, está péssimo”, completa.

 

Obra – O recapeamento das marginais, segundo a Prefeitura, faz parte de pacote de obras viabilizado por meio de recursos do Ministério das Cidades – obtidos via emenda parlamentar. Além das mencionadas vias, também serão recuperadas ruas Chosako Nohama (Parque da Torre), José Marum (CDHU Marino Godinho) e travessa da Rua João Gonçalves (Moreiras). A empreitada, no total, consumirá R$ 1 milhão.

 

Outro lado – O governo José Tadeu de Resende (PSDB) não foi procurado para falar a respeito dos problemas de acessibilidade destacados nesta reportagem. A Folha de Piedade se reservou o direito de não acionar o Executivo, vide que, desde o início do ano, seus questionamentos têm sido ignorados pela atual Administração.

 

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