Acusado de matar homem a pauladas pega 8 anos de prisão

Mais um envolvido no homicídio de João Genésio Lollobrigida, o “Gaguinho”, foi condenado pelo crime de lesão corporal seguida de morte. A sentença foi lida na quinta-feira (28), após deliberação dos jurados. Decisão semelhante, contrariando o que pleiteava o Ministério Público, foi vista na semana passada, quando o tribunal do júri teve o mesmo entendimento em relação à acusada de ser mandante do crime. Ela recorre da decisão em liberdade.

Gaguinho foi morto a pauladas, em 2015, no CDHU Ayrton Senna, como ‘castigo’ por ter furtado R$ 800 de um apartamento. Seu corpo foi encontrado cerca de dez dias depois, jogado em uma vala, em avançado estado de putrefação. O indivíduo julgado na data de ontem teria sido o executor da brutalidade. Em sua defesa, todavia, ele negou a acusação.

“Eu fui até o local e, quando começaram a bater nele, disseram para eu ‘vazar’. Obedeci e saí dali”, alegou o homem, diante do tribunal.

 

Acusação – O promotor de Justiça, Renato Valadão, por sua vez, sustentou que o sujeito teve participação ativa no espancamento que culminou na morte da vítima. “Todos eles, quando vêm até aqui, choram e se dizem inocentes”, afirmou, dirigindo-se aos jurados.  

O representante do MP também mencionou o envolvimento do réu com o tráfico de drogas – crime pelo qual chegou a ser condenado e a cumprir pena. Ele frisou que, após o homicídio, em buscas na propriedade do acusado, a polícia encontrou um caderno com a suposta contabilidade do mercado de drogas.

À frente de um dos nomes, estaria a inscrição “dar um salve, senão vai entrar no prazo”. De acordo com o promotor, a expressão significaria que aquela pessoa estaria com dívida e, caso não pagasse, seria responsabilizada pelo tribunal do crime. “O que podemos esperar de um indivíduo como esse, que coloca as pessoas ‘no prazo’?”, questionou o promotor, que pleiteava a condenação por homicídio qualificado e pena de 20 anos de reclusão.

 

Defesa – O advogado do acusado, Rodrigo Silveira, argumentou que não havia provas suficientes para que seu cliente fosse condenado. Ele também destacou aos jurados o erro que a sociedade cometeria em uma suposta sede de justiçamento e punição. “Não podemos deixar que aconteça com nosso sistema de justiça o que ocorre nos países do Oriente Médio, onde pessoas são apedrejadas, têm membros decepados”, frisou.

Outro ponto na linha de defesa de Rodrigo Silveira foi o custo para os cofres públicos para manter alguém na cadeia. O valor, segundo ele, gira em torno de R$ 3 mil mensais. “Tudo isso para mantermos um sistema que não regenera ninguém. Pelo contrário, torna a pessoa ainda pior”, afirmou.

 

Decisão – A sentença foi lida pelo juiz Cassio Mahuad por volta das 18h.  O magistrado condenou o indivíduo a oito anos de cadeia, inicialmente em regime fechado. Por conta do histórico com o tráfico de drogas, o homem teve a pena aumentada e não poderá recorrer da decisão em liberdade.

 

Envolvidos – No total, cinco pessoas foram indiciadas pelo assassinato de Gaguinho. Uma delas foi absolvida, duas foram condenadas por lesão corporal seguida de morte e outras duas aguardam julgamento. Um desses indivíduos, de acordo com informações apuradas pela Folha de Piedade, estaria com problemas mentais. Há a possibilidade de ele não ir a julgamento, por ser considerado inimputável.

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