Aluna espancada dentro de escola será transferida

Menor e sua irmã deverão ser transferidas para escola do Centro (Foto: Arquivo)

A adolescente de 14 anos que foi espancada dentro da escola Leonor de Oliveira Martins, no bairro dos Leites, não retornou à unidade de ensino. Após o ocorrido, no início do mês de novembro do ano passado, os pais da garota conseguiram uma autorização para que ela e a irmã mais velha façam suas tarefas e estudos de conteúdo em casa.

“Melhor assim, pois eu não confio enviar minhas meninas para um lugar como aquele”, diz o pai das adolescentes, Cesarino Vieira Gomes. Ele ressalta, ainda, que obteve auxílio do Ministério Público e, com isso, conseguiu lavrar um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia. Na época em que a agressão aconteceu, Cesarino acusou a direção da escola de se recusar a fornecer o nome das pessoas que, supostamente, teriam espancado sua filha.

Neste ano de 2018 as filhas de Cesarino também deverão mudar de escola. O intuito é que elas sejam matriculadas em uma unidade de ensino localizada na região central. O desânimo do homem com o ato de brutalidade é tamanho, que ele desabafa: “Vou vender minha casa, aqui no Boa Vista, e me mudar com a família toda para a cidade. Não quero que as meninas tenham o menor contato com as agressoras”.

 

"Não confio enviar minhas meninas para um lugar como aquele”, Cesarino Gomes, pai da aluna

 

O caso – O episódio de violência teria acontecido em 9 de novembro. A vítima sofre de um distúrbio psiquiátrico e toma medicação prescrita. Na ocasião, estava sem o remédio há alguns dias. Segundo ela, o bando teria a importunado no corredor da escola. “Chamaram-me de gorda, cabelo de Bombril, botijão”, lembra.

Sem mais suportar o ataque verbal, a vítima dirigiu resposta atravessada ao grupo. “Partiram para cima de mim e de minha irmã”, explica. A última lembrança da adolescente seria o momento em que caiu ao chão e levou um chute na nuca. “Depois disso, desmaiei”. A garota também teve uma convulsão e teve de ser socorrida pelo SAMU e levada à Santa Casa.

Os pais acusam a direção da escola de ter ciência do que acontece, porém, sem que ninguém tome providências. “Desde o início do ano eu reclamo do bullying que fazem com minhas filhas, mas ninguém faz nada”, argumenta Elizabeth Moraes. O esposo, Cesarino, afirma que o diretor da unidade tentou atribuir a culpa do episódio à vítima. “Ela provocou”, teria dito o gestor escolar ao pai da aluna. No momento em que foi avisar a família sobre o incidente, um funcionário da instituição de ensino teria repetido discurso semelhante.

Outra afirmação gravíssima é feita pela própria vítima. De acordo com ela, as ofensas e piadas não se resumiam aos colegas. A menina menciona que um professor costumava a irritar, com a frase: “Já tomou o remedinho para gente louca?”. 

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