Aposentado aguarda conserto de prótese há três meses

Perna mecânica com defeito impede Nilson de caminhar diariamente, conforme orientação médica para controlar o diabetes
O aposentado Nilson Donizete Mariano, de 49 anos, está há mais de três meses sem poder caminhar, por conta de defeitos na prótese que substitui sua perna e o pé direito. Sem recursos para custear o conserto ou a substituição do equipamento, ele se queixa de não obter respostas do auxílio solicitado à Prefeitura durante todo esse tempo. “O problema é que eu preciso andar pelo menos alguns quilômetros diariamente”, comenta, explicando que o exercício faz parte da indicação médica para controlar o diabetes, doença que o acomete há muitos anos.
 
Nilson revela que reiterar pedidos de ajuda ao poder público e longos períodos de espera fazem parte do seu cotidiano há pouco mais de nove anos, desde que perdeu a maior parte do membro inferior em um acidente de motocicleta. “O ferimento não foi tão grave, mas o excesso de açúcar no sangue dificultou a recuperação e os médicos tiveram de amputar”, detalha o ex-trabalhador da construção civil residente no bairro Caetezal. 
 
"Se eu tivesse outra opção, não estaria pedindo ajuda", Nilson Donizete
 
De acordo com o munícipe, a prótese foi doada pela Assistência Social, depois de insistentes pedidos e uma boa dose de paciência. “O fabricante orientou a fazer manutenção anualmente, porém, como dependo inteiramente da Prefeitura, o máximo que tenho conseguido é um conserto a cada dois anos”, assegura. Segundo ele, os problemas sempre começam com o desgaste da membrana de silicone que envolve a perna na parte que se encaixa no mecanismo. “Serve para vedar e absorver os impactos do movimento”, esclarece. Dessa vez, no entanto, além disso, surgiu uma “bola” de aproximadamente quatro centímetros de diâmetro na planta do pé artificial. “É como um calo enorme, perto do dedão, que me impede de pisar normalmente”, detalha. 
 
 
Caro e demorado 
Dizendo-se cansado da sujeição à vontade de quem tem o poder, Nilson relata que tentou solucionar a situação por conta própria, mas levou um susto ao ser informado sobre os preços das peças e materiais empregados em sua perna mecânica. “Só a borracha custa R$ 2.500,00! O pé, não sei direito, mas falaram em R$ 3.000,00”, comenta, citando valores obtidos em consulta que teria feito numa loja especializada de Sorocaba.
 
“Se eu tivesse outra opção, não estaria pedindo ajuda”, diz Nilson, lamentando ter de sobreviver apenas com o Auxílio Doença de pouco mais de R$ 900, porque ninguém lhe dá trabalho na própria profissão ou em outra qualquer. “Eu tenho esse problema, mas não sou inválido. Posso ser útil em muitas ocupações”, desabafa. 
 
Apesar dos problemas apresentados pela prótese, Nilson conta que ainda insistiu nas caminhadas diárias, pensando em não agravar o quadro provocado pelo diabetes, mas não deu certo. “Pisar torto, com essa bola embaixo do pé durante alguns dias foi o suficiente para afetar a coluna vertebral e, ao invés de ajudar, me causou mais um sofrimento”, resume.
 
"Como dependo inteiramente da Prefeitura, o máximo que consigo é um conserto a cada dois anos", Nilson Donizete
 
Ajuda oficial
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social informou que tem conhecimento das dificuldades enfrentadas por Nilson e está trabalhando para solucioná-las o mais rápido possível. Em resposta a questionamentos da Folha de Piedade sobre a assistência a pessoas que se encontram em situação semelhante à do pedreiro aposentado, a Assessoria de Imprensa informou que Administração possui programas para auxiliar os munícipes de baixa renda. “São fornecidas cestas básicas, óculos, urnas funerárias, edredons, órteses e próteses”, relaciona. “Além disso, sempre que necessário, é providenciada a manutenção e/ou substituição de peças”, diz a nota enviada ao jornal.
 
Conforme o comunicado, o atendimento às solicitações da população é sujeito ao relatório sócio econômico emitido pela assistente social. “Todos os pedidos seguem o mesmo trâmite, sendo estas informações de cunho personalíssimo dos beneficiários”, esclarece. 
 
Durante todo o ano passado, segundo levantamento citado pela Assessoria, o Fundo Social de Solidariedade teria gasto R$ 151.000,00 para atender esse tipo de demanda. Nos 11 primeiros meses de 2017, o custeio do mesmo serviço já teria consumido R$ 144.765,00.
 
Sobre o caso de Nilson, a Prefeitura informou que o Fundo Social foi notificado no último dia 18 de outubro e está procedendo aos levantamentos de necessidade e custos. “Comunicamos que ao final da coleta de informações, o referido beneficiário será posicionado sobre o seu pedido”, concluiu a Assessoria de Imprensa do Paço.
 

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