Câmara discute apoio para Cotmap não fechar

Dr. Daniel se disse comovido e constrangido com situação dos catadores de recicláveis

A possibilidade do fim da existência da Cotmap (Cooperativa dos Trabalhadores do Meio Ambiente de Piedade) rendeu discussões na tribuna da Câmara, na sessão da última segunda-feira (5).  Os parlamentares demonstraram preocupação com a situação que aflige cerca de 10 catadores de recicláveis. “A sociedade, futuramente, pode vir a pagar um alto preço por conta disso”, alertou Daniel Dias de Moraes (PSB).

Por conta de dívida contraída com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), a cooperativa está impedida de receber auxílio da Prefeitura. Hoje, o Município arca com aluguel do galpão, cede um caminhão, combustível e materiais de proteção individual. Devido à pendência com o órgão federal, todavia, o apoio será interrompido a partir de 28 de fevereiro.

“O poder público não pode repassar recursos a uma entidade com dívidas, infelizmente”, explicou Daniel Dias de Moraes, que se disse comovido e constrangido com a situação dos catadores. “A Cotmap é um projeto que deu certo, Gerou emprego aos cooperados, contribuiu para com a manutenção da saúde da população e evitou que toneladas de resíduos fossem para o aterro”, enumerou. Com o fim do serviço, continuou o parlamentar, os prognósticos são sombrios. De acordo com ele, a população ainda não tem consciência ambiental totalmente desenvolvida e, por isso, não colabora com a coleta seletiva. Um dos riscos mencionados pelo vereador foi de que o Rio Pirapora seja tomado por materiais como garrafas pet, papelão e outros. “Será que os jovens de hoje viverão em meio ao lixo, por conta de nossa omissão?”, indagou.

 

Auditoria – Para o presidente do Legislativo, vereador Camarão Prestes (PSD), é preciso fazer um levantamento para apurar a situação. A dívida da Cotmap com o INSS remonta aos anos de 2007 e 2020, época em que a cooperativa era gerida por pessoas que não integram mais seus quadros. “É preciso fazer uma sindicância para levantar o que aconteceu e como se chegou a essa situação. Alguém embolsou o dinheiro”, disparou.

Camarão disse, ainda, que é preciso acionar o Executivo para que Câmara e Prefeitura discutam uma solução. “De repente, podemos fazer um projeto de lei para que sejam repassados recursos a esses trabalhadores”, arriscou. “Temos de estudar e conversar. O que não dá é para deixar a situação como está”.

A Fala do presidente ganhou respaldo por parte de Alex Silva (PTB). “É preocupante, pois se trata de questão de saúde pública. Em uma situação dessas não podemos fazer politicagem, temos de trabalhar pelo melhor para o município”, destacou. Ele também deu a sugestão de elaborar proposta para que o serviço dos cooperados fosse contratado de forma terceirizada, pela Prefeitura. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, todavia, estabelece que todos os municípios têm a obrigação de remunerar os catadores de recicláveis, tendo inclusive a prerrogativa de dispensa de licitação. A determinação, contudo, foi desprezada pela ex-prefeita Maria Vicentina (PSD) e tampouco ganhou simpatia do atual prefeito, Tadeu.

 

Problema – A possível extinção da Cotmap soma-se à crise na coleta de lixo, que castiga o município desde o final do ano passado. O serviço prestado pela Garagem Municipal tem se mostrado deficitário, devido à alegada falta de recursos humanos e, também, de maquinários. O fato não passou em branco, entre os vereadores.

“Nós já temos esse problema na coleta, que precisamos resolver. Agora, vem mais essa cacetada”, desabafou Camarão, tendo o endosso de José Anézio (PP). “Se a Cotmap parar, do jeito que estão as coisas com os coletores, logo teremos um amontoado de lixo espalhado por toda Piedade”, previu. 

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