Câmara promete mais fiscalização ao governo Tadeu

Prefeito Tadeu de Resende: na mira dos vereadores (Foto: Arquivo)

As péssimas condições de algumas estradas rurais voltaram a ser tema de debate entre os vereadores, na sessão de segunda-feira (2). Para alguns parlamentares, a Câmara deve intensificar os trabalhos de fiscalização, no sentido de cobrar do poder Executivo um melhor planejamento em relação às prioridades de investimento no que se refere a recuperação das vicinais.

“Eu parabenizo a Prefeitura pelo trabalho executado no bairro dos Leites, porém, ao mesmo tempo, vejo a necessidade de tapa buracos na estrada do Jurupará e na Carolina Paes Granjeiro”, disparou Marly Godinho (PSDB). “A Administração tem de trabalhar em cima do que é prioritário. No caso do Jurupará, o estado da pista tem ocasionado acidentes. Uma criança foi atropelada e uma pessoa morreu, há algumas semanas, devido à falta de segurança naquela via”, completou.

O colega de bancada de Marly, Adélcio de Jesus (PSB), afirmou que a função do Legislativo é, justamente, cobrar planejamento e fiscalizar os atos da Administração. “Quando este colegiado tomar consciência disso, poderemos cumprir com essa função e não seremos cobrados pela população sobre questões que fogem de nossa competência. Afinal, quem tem a máquina e as verbas na mão é a Prefeitura”, disparou.

De forma enigmática, Adélcio também insinuou que os pedidos de alguns vereadores não são atendidos pelo prefeito José Tadeu de Resende (PSDB). Sobre isso, o peessebista frisou: “Não precisa fazer nada do que eu peço. Mas, independentemente disso, aviso que fiscalizo cada passo do Executivo nesta cidade”, discursou. Segundo o vereador, não se trata de uma ameaça. “É minha função e cumprirei com meu papel”.  

 

Emendas – A respeito do anúncio recente sobre o aporte de R$ 2 milhões – vindos do Governo do Estado de São Paulo – para investimento em recapeamento de estradas, Adélcio fez uma fala polêmica. Ele se disse contrário a emendas parlamentares. Em sua visão, trata-se de um instrumento antidemocrático e utilizado na construção de supostos currais políticos.

Sobre esse tema, Alex Silva (PTB) pediu a palavra e lembrou que essas emendas correspondem a dinheiro público, arrecadado por meio de impostos. “Não são valores dos deputados ou do governador”, cravou. “Temos de sair buscar essas verbas, mesmo, para suprir a necessidade do município”, afirmou.

Para Marly Godinho, faz-se necessária, no Brasil, uma reforma política. Segundo ela, ou isso ocorre ou os municípios terão de “mendigar” recursos. “Hoje, viver de verba parlamentar é um mal necessário”, destacou a vereadora.

 

Eleições – O petista Maurinho Machado, por sua vez, aproveitou o gancho dos colegas e questionou o período em que a mencionada verba chegou a Piedade. “Justo em época de eleição, o Estado libera R$ 2 milhões. Nossa necessidade, todavia, vem de anos”, comentou. Ainda na opinião do oposicionista, o foco da vereança não deve ser direcionado a indicações solicitando serviços, mas ao acompanhamento dos recursos destinados a essa finalidade.  

Ele avisou, ainda, que fará um requerimento sobre a avaliação de quais estradas receberão o recape, por meio da verba estadual. “A gente sabe que esse valor não é suficiente. São cinco ou mais vicinais em estado crítico: Oliveiras, Funil, Jurupará, Ciriaco, Funil”, enumerou Maurinho.

Aliado – A defesa do Executivo, durante a discussão, voltou a ficar a cargo do presidente, Camarão Prestes (PSD) e de José Anézio (PP). Ainda que mantendo cautela, diante das observações dos colegas, eles apresentaram o contraponto favorável à Administração. “O prefeito Tadeu ainda fará muitas coisas boas neste governo”, resumiu Anézio, após tentar explicar o porquê de o Executivo ter escolhido usar os R$ 2 milhões do Estado para serviço de recape.

Camarão, como de costume, incentivou os parceiros de vereança a procurarem, diretamente, o chefe do Executivo para conversar e cobrar melhorias e explicações. Ele também mencionou a grande quantidade de bairros e a extensão rural de Piedade, como dificultadores de serviços de recuperação em vicinais. “Mas, de qualquer forma, vocês estão no caminho certo, trabalhando direitinho”, desconversou.

Em sua fala na tribuna, o vereador Alex Silva havia reclamado da suposta omissão do governo em relação aos seus pedidos de melhorias em estradas. A questão específica, daria-se em um trecho denominado “braço”. De acordo com ele, as equipes iriam até alguns bairros, mas deixariam tarefas pendentes. Diante disso, ele apresentou outra indicação solicitando os reparos. “Como as máquinas não passam onde a gente pede, o jeito é fazer mais indicações”, ironizou, aparentando estar sem paciência com a postura da Administração.

Ao fazer a defesa da Prefeitura, Camarão sugeriu a Alex que, nas indicações e requerimentos, esclarecesse de forma detalhada o endereço do galho de estrada que deveria receber a melhoria. Aparentando estar desgostoso com a recomendação, o vereador do PTB pediu a palavra e frisou: “No documento protocolado, está tudo muito bem explicado, presidente!”.  

 

Cidadania – O debate enveredou sobre o real papel do Legislativo na vida política do município. Sobre esse assunto, Maurinho Machado sugeriu que os membros da Câmara orientem melhor o munícipe, para que ele próprio possa solicitar melhorias na Prefeitura – utilizando-se dos canais mais adequados.  

Ele lembrou, ainda, que muitos cidadãos pedem serviços particulares e que isso ocorre por desconhecimento. “Cabe uma orientação por parte desta Casa. De repente, são situações em que a diretoria de Assistência Social consegue ajudar aquela pessoa”, explicou o petista. “Enfim, o papel de um vereador é o de representar o cidadão, legislando pela coletividade, e não pedir coisas em nome desse munícipe”, completou.

O veterano Daniel Dias de Moraes (PSB), último a ter a palavra, endossou o discurso de Maurinho. Ele destacou a importância, principalmente, de incentivar a comunidade a se organizar em associações de bairro. Ao mencionar exemplo já existente nos bairros Oliveiras e Tenórios, Dr. Daniel afirmou: “O povo unido tem muita força para reivindicar dos governantes”.

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