Cebola tem aumento de preço e garante rentabilidade na roça

Maurício de Matos: "Plantar cebolas está no sangue"

Ceboleiros de Piedade têm tido motivos para comemorar. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o preço do produto teve alta de 20%, nas centrais de abastecimento de todo o país.

Segundo o estudo, a cebola apresentou aumentos consideráveis em todos os mercados analisados e chegou a ficar 58,5% mais cara em Vitória (ES). A hortaliça também subiu de preço em mais cinco estados, como São Paulo (48,9%), Rio de Janeiro (48,5) e Recife (47,6), seguidos por Goiânia (43,7) e Belo Horizonte (26,2). Nas roças piedadense, o quilo tem sido vendido por valores que oscilam entre R$ 2,00 e R$ 2,20.

“Neste ano, a produção ficou um pouco abaixo em relação ao ano passado, mas o preço tem compensado bastante”, analisa Maurício Fernandes de Matos, do bairro Piratuba.  Envolvido com o cultivo há 17 anos e filho de pai ceboleiro, ele garante que o cenário está bastante propício. “Durante anos, quando o assunto era o preço da cebola, só ouvíamos falar em centavos. Agora, a coisa mudou”, afirma.

Em sua roça, Maurício plantou cerca de 14 hectares. A expectativa, diz ele, é de colher 300 mil quilos. Para auxiliá-lo na empreitada, contratou cerca de 40 diaristas. Cada um recebe R$ 2,50 por caixa. O produto que sai do Piratuba é escoado para atravessadores que, por sua vez, distribuem para cidades de todo o Estado de São Paulo e outras localidades.

Para o ceboleiro piedadense, há fatores que explicam a alta do preço. “Após dois anos ruins, consecutivos, o pessoal tirou o pé do plantio, em outras regiões”, analisa. “Além disso, as taxas de importação ficaram mais altas. Tudo isso favoreceu a cebola de Piedade”, diz Maurício.

Em sua roça, o produto dedica o ano todo ao plantio da hortaliça, no tradicional sistema de bulbo. Ele diz acreditar no potencial do mercado, apesar das conhecidas dificuldades. “O custo da produção é elevado. Paga-se para plantar e, depois, para colher. É diferente de outras culturas, nas quais o próprio comprador faz o recolhe na roça”, comenta. “Por conta disso, acredito que o número de ceboleiros se manterá estável. Agora eu, aconteça o que acontecer, sempre plantarei cebolas. Está no sangue”.

Comentar