Dia a dia da roça vira atração turística

“Têm pessoas que vêm de São Paulo e de regiões mais distantes, fascinadas com a possibilidade de ver como é e poder tocar em um pé de pêssego”, exemplifica Alice Enokizono, proprietária de um sítio no Ciriaco de Baixo. O local especializado no cultivo de frutas e produção artesanal de geleias, compotas e doces orientais é um dos pioneiros na recepção de visitantes. Em três anos, cerca de 300 pessoas participaram do cotidiano da fruticultura em atividade. Somente em 2017 foram 200. Chama a atenção o fato de a divulgação ser apenas boca a boca, pelos próprios visitantes.
 
Alice e o marido, Eiji, consideram a experiência positiva e estão otimistas com as expectativas para o ano que vem. Eles ainda não têm os cálculos da proporção do faturamento obtido com a nova atividade no montante da renda total da propriedade, porém dizem que a diversificação está valendo a pena. “Não coloquei na ponta do lápis, mas, com certeza, a receita com visitas na atual safra de pêssegos, foi bastante significativa”, diz o lavrador.
 
A abertura do Sítio Enokizono aos visitantes coincide com as safras das frutas mais cultivadas no local. A experiência começou no pico da colheita de caqui de 2015, entre maio e junho. No segundo ano passou a receber também na temporada de pêssego e morango, de novembro a dezembro. Um novo ciclo de “porteira aberta” está previsto para estrear no mês de janeiro de 2018, quando os pés de lichia deverão estar mais carregados e em ponto de consumo.
 
Os passeios duram, em média, de cinco a seis horas e são realizados sempre no período da manhã. Podem ser feitos em qualquer dia da semana, desde que o agendamento ocorra com antecedência. O pacote inclui café da manhã e almoço, passeio pelos pomares da propriedade, colheita, explicação sobre cultivo de frutas e uma caixa do produto da época. Os pratos são escolhidos previamente e preparados por Alice. O desjejum pode ser simples ou mais elaborado, de acordo com o gosto do visitante, enquanto a refeição principal é recheada de iguarias japonesas.
 
Até 2017, os Enokizonos recebiam apenas excursões de 15 a 45 pessoas. Para o ano que vem está previsto o lançamento de opções para grupos menores, voltado a famílias, por exemplo, nos finais de semana.
 
O casal alerta que o passeio oferecido é ideal para pessoas interessadas em conhecer a rotina rural tal como ela é. “O ambiente é rústico, as instalações são básicas, mas o conforto é garantido”, diz Eiji, explicando que os sanitários, a cozinha e o salão de refeições estão dentro das normas de higiene e saúde.
 
Fartura caipira
 
O Sítio das Orquídeas, no bairro Cavalheiros, recebe visitantes para um autêntico Café Caipira desde 2012. De acordo com Iracy Denise, idealizadora do programa, cerca de 2 mil pessoas já passearam pela propriedade de quatro alqueires onde a família dela há décadas se dedica ao cultivo de temperos especiais, como cebolinha francesa, nirá, alecrim e manjericão, além de radicchio, uma folhagem de coloração roxa tradicional da Itália.
 
Tradicionalmente farta e carregada de “sustância” para garantir a energia necessária ao trabalho pesado, a primeira refeição do dia na roça, é, também, deliciosa. O cardápio inclui bolos, geleias, doces, compotas, a tradicional paçoca de carne, entre tantas outras receitas confeccionadas no próprio sítio, com ingredientes colhidos ali mesmo. Com a barriga cheia fica mais fácil seguir o roteiro da visita, que ainda oferece caminhadas por trilhas na mata e observação de animais, principalmente pássaros. 
 
Até o ano passado, o evento tinha data marcada: apenas um domingo por mês. Agora, recebe grupos de 15 a 30 pessoas em qualquer dia. Outra novidade é o happy hour, no qual todas as iguarias oferecidas pela manhã são acompanhadas do por do sol, fogueira e caminhada ao luar. Em qualquer opção o custo é de R$ 30,00 por pessoa.
 
Brunch na Vila Elvio
 
Do outro lado do município, na Vila Elvio, o Rancho Alegre e a Casual Sabores proporcionam uma programa rural diferenciado. Lá, os visitantes também passeiam entre plantações e se alimentam, porém, com uma certa dose de sofisticação. Os proprietários dos empreendimentos parceiros, o casal Ubaldo e Maristela Angelini, respectivamente, são cultivadores de pimentas peruanas e de verduras coloridas –  ainda raros no Brasil –, além de produtores de conservas, geleias, pães caseiros de fermentação natural, tortas de massa integral, bolos e molhos, entre outras especialidades.
 
Incentivados pelo sucesso que seus produtos fazem há anos em restaurantes de alto nível e em boutiques gastronômicas de São Paulo, os empresários criaram um roteiro para ampliar a divulgação. Há cerca de seis meses, a propriedade recebe visitantes aos sábados, para jantar, e aos domingos, para brunch. O passeio é agendado de maneira a não prejudicar as atividades produtivas.
 
O brunch aos domingos tem sido a opção preferida. O café da manhã é servido a partir das 10h. Em seguida, as pessoas podem passear pelas estufas e canteiros a céu aberto – incluindo uma área de cultivo experimental de oliveiras – e apreciar o funcionamento da roda d’água que abastece o rancho. Com uma dose média de disposição ainda é possível conhecer os açudes e o processamento de alimentos na sede da Casual Sabor. 
 
Por volta de meio dia, a mesa é servida novamente, agora com mais opções de pratos. Além dos inúmeros produtos próprios, Maristela e Ubaldo acrescentam alimentos confeccionados em propriedades vizinhas, como derivados de leite do Sítio das Grutas e shitake cultivado por Márcio Ishihara.
 
O brunch custa R$ 50,00 por pessoa. Desde o mês passado, o programa poder ser realizado em qualquer data.

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