Falta de recursos afeta ações de segurança, diz consultor

Emanuel explicou ações que deverão ser desenvolvidas, mas se recusou a falar com Imprensa

Em audiência pública realizada de 29 de janeiro, a Prefeitura apresentou à população o seu Plano Municipal de Segurança. O evento aconteceu no auditório Rubens Caetano da Silva e contou com baixíssima participação popular. Autoridades políticas, secretários e representantes da Polícia Militar e da Guarda Municipal estiveram presentes. Por outro lado, a Polícia Civil e o Conseg (Conselho Municipal de Segurança) não enviaram representantes.

Na ocasião, o consultor em segurança e ex-comandante da GCM, Emanuel Souza, apresentou um diagnóstico da atual situação de Piedade. “As estatísticas nos permitem visualizar duas cidades distintas. Em uma delas, não há problemas de segurança, visto que existem poucos registros devidamente formalizados. A outra Piedade é aquela que nos chega pelo boca-a-boca, com queixas repassadas à Prefeitura, aos vereadores e à Imprensa”, avaliou. Ainda de acordo com ele, algumas das razões que foram esse cenário já foram detectadas e propostas serão encaminhadas com vistas à resolução. Dentre as medidas elencadas por ele está a criação de uma Comissão Municipal para tratar dessas discussões.

Um dos principais desafios, quando se fala em segurança, comentou Emanuel, diz respeito ao financiamento. “As ações nessa frente demandam recursos de grande monta. As dificuldades enfrentadas por Piedade, diante disso, surgiram por meio da própria evolução da política brasileira, visto que, cada vez mais, a responsabilidade sobre esse setor é relegada aos municípios”, analisou. “Não podemos mais usar o velho argumento de que a prerrogativa cabe ao Estado. É preciso pensar de forma técnica sobre como atuar nessa área nos próximos anos”.

 

Planejamento – A finalidade da criação e aprovação do plano de segurança pública, segundo a Prefeitura, é buscar recursos financeiros nos governos Federal e Estadual e na iniciativa privada. O montante será utilizado no investimento em ações efetivas no combate à criminalidade no município.

“O plano municipal está em construção, teremos mais duas audiências públicas e demais ações”, anunciou Emanuel, acrescentando que os próximos encontros deverão acontecer na zona rural. “Com esse trabalho podemos pleitear, por exemplo, verbas federais e parcerias com instituições que apoiam ações da GCM”, explicou. “Quem não tem plano tem destino e, sem essa iniciativa, ficamos sem condições de financiamento para capacitações, aquisição de materiais etc”, destacou.

 

Participação – Durante o evento, foram respondidas dúvidas do público e esclarecidas as ações que serão promovidas junto com a população. Um dos questionamentos feitos na audiência foi em relação à extensa área rural de Piedade e os desafios de localização das ocorrências. A solução proposta é a implantação de um sistema de GPS que vai utilizar o número do padrão de energia como forma de localizar a residência em todos os lugares do município, inclusive os mais afastados, sem rede de telefônica móvel.  

 

Tecnologia – Foi mencionada, também, a opção de adotar iniciativas de policiamento solidário por meio de grupos de WhatsApp e, também, presença comunitária da PM. Sobre as ações tecnológicas, o assessor da Prefeitura, Caio Martori, explanou que, em seu bairro, a medida já funciona há algum tempo, com resultados satisfatórios. “Por meio do aplicativo, conseguimos nos comunicar, em tempo real, e alertar uns aos outros a respeito de movimentações atípicas”, frisou. Mas, segundo Martori, é preciso tomar algumas precauções. A principal delas, sublinhou, é analisar que tipo de pessoa será adicionada ao grupo.  “Tem de ser restrito, pois é por ali que circulam informações estratégicas e privilegiadas. Cuidado com quem vocês vão incluir”, avisou.  

O capitão da PM, Rafael Casari, apontou que a corporação também participa de iniciativas dessa natureza. “Nós colocamos no grupo um tutor, representante da sociedade, e um policial.  Com isso, a comunicação é mais rápida, próxima do cidadão e, na eventualidade de uma ocorrência, já existe um PM pronto para atender, pois ele está ali, participando das discussões no aplicativo”, declarou. De acordo com ele, interessados em implantar grupos de WhatsApp em conjunto com os policiais podem procurar o batalhão. “Estamos de portas abertas”, avisou.

Indagado sobre como fazer essa aproximação em bairros sem sinal de telefonia móvel e Internet, Casari respondeu: “Aí, não tem jeito. A solução é enviar uma viatura ao local, para que sejam realizadas reuniões com a comunidade. Se não tenho comunicação digital, a única medida é reforçar nossa presença. Temos dificuldades de recursos, mas estaremos lá de qualquer forma”, garantiu.

 

Bronca – No momento de fazer as considerações finais, o prefeito José Tadeu de Resende (PSDB) – que participou do evento, mesmo estando de férias – puxou a orelha da população. Ele se mostrou descontente com a pouca adesão do público. “Temos aqui, hoje, umas 40 pessoas. É um índice muito baixo para discutir um assunto dessa importância”, afirmou.

Ainda de acordo com Tadeu, a Prefeitura já tem procurado o Governo do Estado, em busca das ferramentas necessárias para que haja investimentos em segurança pública. No que diz respeito às ações municipais, ele destacou o fim do contrato com a atual empresa de videomonitoramento. “Estamos encerrando a parceria com esses caras. Nunca vi coisa pior do que esse sistema que está aí. Outro dia furtaram a sede do Social e não havia resolução para identificar o rosto das pessoas ou a placa do carro”, reclamou.

Outra medida mencionada por ele diz respeito aos loteamentos clandestinos – apontados como locais atrativos para criminosos e foragidos. “Esperamos resolver essa questão. Já avisamos a Elektro para que não faça nenhuma ligação de energia nesses loteamentos, sem avisar a Prefeitura”, pontuou.

 

Sem entrevistas – Apesar de ter discorrido sobre o tema, o consultor em segurança, Emanuel Souza, recusou-se a dar entrevista à Folha de Piedade. Ele alegou que, por não ser funcionário público, não falaria com a imprensa.

A reportagem tentou contornar a situação, acionando o secretário de Gabinete, Norton Nakayama. Todavia, o homem-forte do governo Tadeu manteve o veto à manifestação do especialista. Vale lembrar que Emanuel foi contratado pela Prefeitura e, portanto, tem seu serviço pago com dinheiro público. O questionamento da Folha de Piedade era estritamente relacionado ao Plano Municipal de Segurança Pública.

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