'Guarda Mirim' completou meio século de atividade neste ano

“Instruir os menores sobre boas maneiras, princípios de honestidade, trabalho, moral cristã, cumprimento das leis e do amor ao próximo e à Pátria”. Estes são os objetivos originais da Guarda Mirim de Piedade – atual Aejupi –, estabelecidos no Artigo 1° dos seus estatutos, redigidos há exato meio século. Na época não se falava em tirar as crianças e adolescentes das ruas e, muito menos, de evitar a perdição pelas drogas, a influência do tráfico ou a contaminação pela violência urbana. No entanto, já evidenciava a preocupação da sociedade com a deterioração dos valores e o desequilíbrio ético. 
 
A fundação da entidade se deu na noite de 4 de agosto de 1967, em assembleia realizada no antigo Posto de Puericultura, prédio localizado na esquina das ruas Benjamin Constant e Araújo Leite, onde hoje funciona o Caps II (Centro de Atenção Psicossocial). A exposição de motivos coube ao juiz de Direito da Comarca, Nelson Munhoz Soares, também responsável pela mobilização da população, redação do texto básico da instituição e coordenador dos trabalhos naquela noite. Dos quase 50 convidados, 21 compareceram e assinaram a ata redigida por João Lapa Netto, escolhido para secretariar o encontro. Estes são, por definição, os fundadores da entidade.
 
A proposta, desde então, incluía a preparação dos jovens para a cidadania e o mercado de trabalho. Entre as funções exercidas pelos “guardinhas”, estavam auxiliar a fiscalização do trânsito, vigilâncias das praças, jardins, parques, cinemas, igrejas e edifícios públicos, guarda de veículos, assistir e auxiliar a entrada e saída de alunos das escolas, prestar serviço social à população, orientar os visitantes e turistas, entre outras. Vale destacar que a faixa etária atendida pela entidade era dos 11 aos 15 anos.
 
A primeira diretoria foi eleita por aclamação da chapa sugerida pelo dr. Nelson. Assim, a organização da instituição ficou sob a responsabilidade do médico Diomar Di Giovanni (presidente), Cláudio Pereira da Silva (vice-presidente), João Lapa Netto (primeiro secretário), Osvaldo Rolim da Silva (segundo secretário), Jacob Nalli (primeiro tesoureiro), Moacir Faustino (segundo tesoureiro), Laércio João Bento (diretor técnico) e Rubens Marques (instrutor).
 
Pouco mais de 10 meses depois, a instituição atravessava sua primeira crise, por conta da impossibilidade de alguns membros da diretoria de participarem ativamente. Em assembleia extraordinária realizada em 27 de junho de 1968, na Santa Casa de Misericórdia, foram aprovada alterações em seis cargos: o jornalista Laurindo Tirotti assumiu a presidência, em substituição ao dr. Diomar; Alberto Pinheiro substituiu Cláudio Pereira na vice-presidência, Moacir Fausto passou de segundo para a Primeira Tesouraria, na vaga de Jacob Nalli, sendo substituído por João Henrique Pinto Ferreira. O instrutor Rubens Marques, o popular policial militar Rubinho, assumiu o cargo de diretor técnico, enquanto Aécio Guimarães Barros aceitou o cargo de diretor orientador, recém-criado.
 
Apesar da boa vontade, a diretoria encontrou dificuldades para concretizar o projeto e as atividades foram suspensas durante alguns anos. A instituição voltou à ativa em 7 de setembro de 1985. Desde então, enfrentou diversos períodos difíceis, especialmente a falta de recursos, porém, nunca voltou a ser paralisada inteiramente. Em 2006, atendimento à legislação federal, a entidade teve a denominação alterada para Aejupi (Associação Educacional da Juventude de Piedade). Até 2014, seus ensinamentos haviam contribuído para a formação de 3.382 jovens. Muitos deles se recordam, com orgulho, dos ensinamentos, do trabalho desenvolvido em diversas empresas e dos aplausos do público em dias de desfiles comemorativos.
 

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