‘Guarda Mirim’ pede ajuda para dar uma chance aos jovens

Depois de meio século formando jovens para a cidadania e o mercado de trabalho, 'Guarda Mirim' está inativa desde o início do ano
“Precisamos da cooperação de todos para ajudar os adolescentes a se tornarem bons cidadãos e inseri-los no mercado de trabalho”. O apelo é da presidente da Aejupi (Associação Educacional da Juventude de Piedade), Shirley Katsuragawa, aos empresários da cidade, poder público e sociedade em geral. A entidade popularmente conhecida como “Guarda Mirim” – sua antiga denominação – completou meio século de existência no último dia 4 de agosto, afetada por uma grave crise financeira que obrigou à suspensão das atividades durante a maior parte do ano. A boa notícia é que um pequeno grupo de novos colaboradores está cuidando da reorganização da instituição e já definiu o calendário para 2018, incluindo a retomada do curso de capacitação ao primeiro emprego a partir de fevereiro.
 
De acordo com Alex José de Oliveira Bueno, membro do Conselho Fiscal e coordenador do projeto de restauração da Aejupi, as dívidas acumuladas – cerca de R$ 200 mil – são o problema mais difícil de resolver, porém, revela que as necessidades imediatas envolvem muito mais do que dinheiro. “Nós precisamos, principalmente, de pessoas dispostas a dedicar parte do seu tempo a lecionar nos programas que desenvolvemos para a formação dos jovens”. 
 
Alex credita a fase de dificuldades atravessada pela “Guarda Mirim” à falta de reposição de membros da equipe responsável pela gestão. Ele lembra que a liderança da entidade se manteve praticamente inalterada desde 1967, quando foi fundada. “As pessoas dispostas a trabalhar eram sempre as mesmas. O problema é que quando elas faleceram não havia substitutas”, lamenta. Ele exalta o empenho de abnegados colaboradores, como Katian Katsuragawa e Rubens Marques – sargento Rubinho –, Wilson Múscari e Laurindo Tirotti, que, “infelizmente, não estão mais entre nós”. 
 
Shirley, filha de Katian, relaciona outros nomes que foram decisivos para a sobrevivência da instituição durante tanto tempo, mas concorda com Alex no que se refere à falta de colaboração em anos recentes. “Desde que o meu pai faleceu, em 2014, a Guarda Mirim não tem tanto apoio como costumava ter”, lastima. 
 
Apesar do momento complicado, a presidente demonstra otimismo com os novos parceiros. “Eles estão muitos emprenhados e, logo, a proposta do meu pai e de outros fundadores estará de pé novamente, tirando os jovens das ruas, garantindo formação ética, livrando-os das drogas e da violência”, previu. “Hoje, o que se vê é aluno batendo em professor dentro da sala de aula... A responsabilidade para mudar isso é de todos nós”, apelou. 
 
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