Inverno e Primavera são arriscados para cultivo de hortaliças

“Todo mundo sabe que essa época é propícia às chuvas de pedra, mas arrisca. Quando a sorte ajuda e o granizo não vem, as chances de lucro são grandes, porque tem pouca alface chegando ao mercado”, comenta Gilson, tentando se conformar com a perda. Dessa vez, os planos do lavrador quase deram certo, porque a colheita das folhosas tinha começado no dia anterior ao temporal que atingiu Piedade no final da tarde de 16 de novembro. “Infelizmente, só deu tempo de tirar 150 caixas de alface”, lamenta. 
 
Segundo o produtor estabelecido no bairro Paulas e Mendes, a destruição foi quase total no caso das alfaces que formam cabeça, como a Americana e a Lisa. “Onde as pedras batem, formam-se feridas que dificilmente cicatrizam”, explica. Nesses pontos, a planta fica mais vulnerável a ataque de pulgões. Esses insetos liberam uma substância grudenta que, por sua vez, causa o crescimento de fungos. O resultado é uma doença conhecida como “mela”, que acaba por inviabilizar a planta inteira. 
 
Gilson conta que iniciou os tratamentos à base de cobre – sulfatos e óxidos – indicados contra a “mela”, no dia seguinte à chuva de pedra. Nas alfaces crespas, a recuperação já podia ser percebida na última terça-feira (21), quando a reportagem esteve na propriedade. As demais espécies, no entanto, não apresentavam sinais de melhora. “Acho que vou ter de arrancar e plantar tudo novamente”, admite. 
 
A situação dos 5 mil pés de morango da variedade Camino Real Brasileira plantados a poucos metros das alfaces, é menos preocupante. Em produção há cerca de dois meses, os canteiros têm boas chances de se recuperar e voltar a produzir até o final do ano. Neste caso, o granizo destruiu tanto os frutos em ponto de colheita, como os pequenos e as flores jovens. Como as plantas resistiram, a esperança é de que um novo florescimento aconteça dentro de algumas semanas.

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