Piedade tem pêssego de qualidade, mas preço decepciona

Clima prejudicou produção paulista de pêssego em 2017: na maioria das regiões produtivas, frutos atingiram calibre menor do que nos anos anteriores
Os pessegueiros piedadenses passaram ilesos pelos problemas climáticos que reduziram em cerca de 40% as safras nas principais regiões produtoras paulistas neste ano. Diante da redução de oferta no mercado aquecido da fruta para as festividades de Natal e Ano Novo, a expectativa dos cultivadores locais é de conseguir preços melhores nas últimas semanas de 2017. Com cerca de 16 mil pés cultivados em 20 hectares, o município deverá colher entre 350 e 400 toneladas até o final de dezembro, com faturamento bruto de, pelo menos, R$ 4 milhões.
 
Até esta quinta-feira (14), no entanto, a cotação no atacado se mantinha na média de R$ 6,00 a caixeta com 900 gramas, praticamente inalterada, na comparação com o final do mês de novembro. Isso significa prejuízo, na opinião de lavradores e autoridades do setor ouvidas pela Folha de Piedade. Para a diretora municipal de Agricultura, Heloísa Helena Favara, o fenômeno é, no mínimo, suspeito. “Se as regiões de grande produção da fruta tiveram problemas, deixando a oferta em baixa, e o momento é de demanda em alta, seria natural que os valores se elevassem”, comenta.
 
Concorrência 
 
Para Harue Sawado, gerente da APPC (Associação Paulista dos Produtores de Caqui), a queda atípica de preços no atacado justamente no período em que normalmente os produtores conseguem os melhores níveis de lucratividade pode ser explicada pela invasão de frutas do Rio Grande do Sul no mercado de São Paulo, já que, no estado sulista a colheita está no auge neste momento. 
 
De acordo com a gestora da instituição sediada em Pilar do Sul e voltada à comercialização de diversos tipos de frutas, seus associados também estão insatisfeitos com a remuneração obtida com o pêssego neste ano. Harue opina que os problemas podem estar sendo causados pelos atravessadores que dominam os grandes entrepostos de alimentos in natura  de São Paulo. “Eles trazem grandes volumes com o objetivo de obrigar os produtores paulistas a venderem sua produção a  preços menores”, revela.
 
Harue também lamenta que os consumidores se deixem levar apenas pelo parâmetro preço, deixando de lado a qualidade do produto que leva para casa. “As pessoas não percebem que o pêssego gaucho é colhido verde, justamente para custar menos, chegando ao mercado com características bem inferiores aos cultivados aqui”, comenta.
 
   LEIA TAMBÉM

Comentar