Regiões de maior produção têm expectativa de safra 40% menor

Enquanto os pessegueiros de Piedade não sentiram as influências negativas do clima, as demais regiões produtoras de São Paulo estimam perda de até 40% na produtividade desta safra. Segundo plantadores das regiões de Jundiaí e Paranapanema, a temperatura e o índice pluviométrico em 2017 destoou dos anos anteriores. Eles avaliam que o excesso de frio, de chuva e de longos períodos secos no primeiro semestre influenciou diretamente na florada dos pés e no chamado “pegamento” dos frutos.
 
Em Jarinu, considerada uma das maiores produtores do estado, o volume colhido deve ser até 35% menos do que em 2015. Pela experiência de 20 anos na atividade, o produtor rural Waldir Parise já sabe que a quebra irá pesar no caixa no final do ano. “A gente vai ficar com uma baixa rentabilidade, isso para quem conseguir fechar as contas”, disse.
 
De acordo com o engenheiro agrícola Paulo Gilberto de Mello Schrank, houve um desastre ecológico na região de Jundiaí que acabou prejudicando as lavouras. “Desde as flores, se der um vendaval muito forte elas caem, e acaba perdendo toda uma parte”, avaliou.
 
São Paulo produz em média 33 mil toneladas de pêssego por ano, o segundo maior produtor e principal fornecedor do pêssego de mesa do país. “O estado que mais produz é o Rio Grande do Sul, com 166 mil toneladas, depois vem São Paulo”, comenta Moacyr Saraiva Fernandes, presidente do Ibraf (Instituto Brasileiro de Frutas). Segundo ele, a produção gaúcha está contrabalançando os problemas enfrentados em São Paulo, com reporição de 10% a 15%.
 
Contradição
 
A expectativa de quebra na safra de pêssego tem provocado contradições no mercado. Enquanto os produtores de Piedade se queixam da queda de preços, o entreposto da Ceagesp de São Paulo registra aumento no preço da fruta. “O valor pago ao produtor está pelo menos 20% mais alto que no mesmo período do ano passado. A oferta do produto ainda está muito baixa, mas eu acredito que daqui uns dias isso deve até baixar um pouco porque o estado também já entra em colheita, mas o preço está um pouco acima do que no ano passado, mas não compensa a quebra de produtividade que nós tivemos”, disse Waldir.
 
A quebra, na visão do gestor de agronegócio Fulvio Bardia, pode desestimular muitos produtores a investirem nas próximas safras. “Quem trabalha com a gestão contínua de suas propriedades não deve perder o padrão de reforma do pomar, mas isso vai afetar a tomada de decisão do produtor com relação à quantidade de pés para as próximas safras”, concluiu.

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