Safra de morango renova esperança de lucro em Piedade

Temperaturas amenas e chuvas na medidas certa garantem boa safra de morango em Piedade
“O morango já salvou o bolso de muita gente em 2016 e deverá fazer a mesma coisa neste ano.” A previsão do fruticultor Roberto Noriyuki Hamaguchi, o Nori, soa como um prenúcio de alívio em meio à avalanche de notícias negativas que toma conta do cotidiano dos lavradores desde o ano passado. 
 
A euforia em torno da safra de morango, prestes a começar, contrasta com o momento vivenciado pelos produtores de hortaliças, recheado de quedas de preços e redução de consumo. “Felizmente, muitos agricultores locais costumam reservar uma parte das suas propriedades aos morangueiros”, comemora Nori, que além de produtor da fruta, também atua como distribuidor de mudas do tipo Camino Real, importadas do Chile.
 
Nori estima que o município irá colher cerca de 6 mil toneladas de morango até o final do ano. A única condição para que a média de 1 mil toneladas mensais se confirme é uma trégua das geadas fortes durante os próximos 30 dias. “Se não gear até o final de julho ou comecinho de agosto, é quase certo que Piedade repetirá a ótima produtividade do ano passado”, assegura. 
 
Para completar o quadro favorável à fruta em 2017, resta apenas que não haja excesso de chuva durante o período de desenvolvimentos das mudas transplantadas mais recentemente. “Se o clima se comportar dessa maneira, além da boa produtividade, certamente teremos morangos de alta qualidade para oferecer ao mercado de todo o país até a época das festas de Natal e Ano Novo”, acrescenta o produtor.
 
Loteria dos preços
 
Se a quantidade, o aspecto, o tamanho e a doçura do morango piedadense neste ano estão bem encaminhados, o nível de remuneração dos produtores ainda fica à mercê do nível de oferta do mercado. “Enquanto mais frutas disponíveis, mais o preço tende a cair”, explica Nori. Ele lembra que em 2016 houve quebra de produção no Sul de Minas Gerais, principal concorrente dos cultivadores locais nesta época do ano. Isso elevou o preço da caixa com quatro cumbucas – aproximadamente 1,2 kg –, no atacado, à média de R$ 5 a R$ 7. 
 
Dois anos atrás, quando o morango mineiro “inundou” São Paulo, ocorreu justamente o contrário. “Em 2015, a caixeta da fruta não superou a média de R$ 3 a R$ 5, fazendo os produtores de Piedade simplesmente trocarem dinheiro”, comenta Nori.
 
Recorde mantido
 
A confirmação das 6 mil toneladas na atual safra piedadense de morango repetirá o recorde histórico de produção, registrada no ano passado. Além disso, o volume também servirá para consolidar a liderança do município no cultivo da fruta em todo o Estado de São Paulo, superando a região de Jarinu, que até 2015 liderava o ranking. 
 
De acordo com Nori, os produtores piedadenses agora são igualmente recordistas no que se refere a àrea cultivada com morango no Estado. Pelos cálculos dele, cerca de 150 lavradores transplantaram aproximadamente 6 milhões de mudas de várias espécies em duas épocas distintas, entre março e maio.
 
Os morangos mais precoces foram para os canteiros entre os meses de março e abril. Esse grupo é estimado em 2 milhões de mudas e formado especialmente pelas variedades nacionais Camarosa, Oso Grande e Camino Real. Beneficiadas pelo bom volume de chuvas e ausência de geadas fortes no período, essas frutas já estão sendo colhidas e alcançando preços compensadores, por volta de R$ 5 a caixeta. 
 
Com produtividade média de 1 kg por pé, a primeira fase da safra deverá render aproximadamente 2 mil toneladas. O volume equivale ao faturamento total de R$ 10 milhões.
 
Já na segunda etapa do plantio deste ano, ocorrida entre os dias 15 e 20 de maio, os canteiros piedadenses receberam pouco mais de 4 milhões de mudas importadas da variedade Camino Real. Assim, o início da safra está previsto para o período que vai do final de julho ao início de agosto. Com colheitas regulares e praticamente diárias até o final do ano, essas plantas deverão fornecer, pelo menos, mais 4 mil toneladas. Mantida a média de preços prevista, o faturamento proveniente da Camino chilena deverá girar em torno de R$ 24 milhões no segundo semestre.
 
A Diretoria Agrícola Municipal concorda com as previsões otimistas dos produtores de morango para esta safra no que se refere à produtividade. Conforme os técnicos da instituição, os bons preços alcançados pela fruta em 2016 estimularam os produtores a repetir a área de plantio, que registrou aumento de  6% na comparação com 2015.

Comentários

Boa colheita aos amigos morangueiros de Piedade!

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