Secretária do Social vai à Câmara rebater vereadores

Segundo Roseli Marini, críticas foram cruéis, caluniosas e infundadas

Na última segunda-feira (2) , a secretária de Ação Social, Roseli Marini, esteve na Câmara para rebater as críticas a seu trabalho, feitas por alguns vereadores, na sessão de 19 de março. Na ocasião, os parlamentares cobraram ações mais efetivas no trato a dependentes químicos e pessoas em situação de rua. “É mais fácil ficar sentado em uma cadeira do que mostrar serviço à população”, chegou a disparar Daniel Dias de Moraes (PSB). Os esclarecimentos de Roseli ocorreram ao término da sessão ordinária, em atendimento a solicitação apresentada por ela, via ofício, ao Legislativo.

“As críticas que recebi foram infundadas, caluniosas. O vereador Dr. Daniel se referiu, de maneira cruel, a fatos que desconhece”, disparou a psicóloga, que também apresentou diversos números referentes aos atendimentos prestados por sua secretaria.

Marini defendeu que, apenas em 2018, foram 120 auxílios a pessoas de outros municípios que precisam de passagem para retornar às suas cidades de origem. “São pessoas que poderiam estar arrumando problemas, em Piedade, mas foram prontamente atendidas. Será que estamos fechando os olhos, como a vereadora Marly Godinho (PSB) afirmou?”.

Ainda de acordo com os dados de Roseli, o Social presta assistência a 10 moradores em situação de rua, sendo que seis dessas pessoas têm endereço fixo, porém, se recusam a ir para a casa de suas famílias. Além disso, destacou a psicóloga, houve 77 encaminhamentos para internações desde o ano passado. Sua visita à Câmara, inclusive, foi acompanhada por representantes de entidades que atuam em parceria com o Município. “São pessoas que fazem um trabalho assistencial e atendem a nosso povo. Há quatro clínicas que prestam apoio à Prefeitura e todas elas recebem nossas visitas, para fins de fiscalização”, concluiu, acrescentando que, no comparativo regional, Piedade apresenta os menores índices percentuais de cidadãos em situação de risco.

“Nós trabalhamos muito e precisamos de sugestões construtivas por parte da vereança. É simples subir numa tribuna e criticar a atuação de quem não está presente”, reclamou.

 

Revide – As respostas de Roseli, no entanto, foram alvo de contestação por parte de alguns vereadores. Dr. Daniel, por exemplo, reclamou de, em discurso inicial, a secretária ter mencionado apenas o seu nome e o de Marly e Adélcio de Jesus, todos da bancada do PSB. “Foram sete parlamentares que se manifestaram naquela ocasião. Por que cita só os nossos nomes? É pelo fato de nosso partido fazer oposição ao prefeito?”, questionou.

Daniel questionou, ainda, quais os planos do governo municipal para, de fato, colocar em funcionamento a Casa da Retaguarda. O local serviria para atender pessoas em situação de risco, visto que a atual Administração fechou o albergue que existia na Vila Quintino. “Há um diferença muito grande entre assistencialismo e caridade”, criticou o veterano parlamentar.

Roseli, todavia, deu pronta resposta. Segundo ela, o abrigo foi fechado por não dar condições dignas aos usuários. “Era um local com brigas, prostituição e consumo de drogas”, explicou. Segundo ela, a Casa de Retaguarda será construída, no entanto, não servirá como albergue para moradores de rua. “Será voltada a famílias que precisem passar a noite na cidade”, frisou.

A respeito dos frequentadores da “Cachaçolândia” – coreto da Praça Coronel João Rosa –, também mencionados por Dr. Daniel, a psicóloga cravou: “Todas aquelas pessoas têm endereço fixo. Nós as conhecemos e não existe uma lei que nos permita tirá-los dali. O mesmo se aplica aos cães que os acompanham, pois os animais são deles!”.

 Marly Godinho tentou colocar panos quentes na situação. Ela disse que não fez “duras críticas”, mas, somente, a colocação de não haver um local adequado para os munícipes necessitados tomar banho e se alimentar. “Jamais questionei os atendimentos e os números da secretaria”, defendeu-se. “Minha intenção foi pedir mais planejamento, para humanizar a atenção a essas pessoas”, acrescentou.

 

Embate – Adélcio de Jesus, por sua vez, partiu para um embate mais agressivo com a secretária de Ação Social. Ele repreendeu o tom de voz adotado por Roseli na ocasião. “Tivemos várias conversas com secretários e a senhora foi a única que usou dessa agressividade”, condenou. “Eu, como vereador, tenho imunidade e total direito de cobrar projetos de atuação por parte de sua pasta”, avisou o peessebista.  

A fala de Adélcio não passou batida por Marini, que retrucou: “Vereador, o senhor nos acusou de não tomar providências. Quando falam esse tipo de coisa, o ‘bicho pega’. Eu e minha equipe trabalhamos muito para atender aos munícipes e fazer serviço solidário”.

O parlamentar, entretanto, não se fez de rogado.  “A senhora continua equivocada. Nós questionamos o trabalho de servidores que são remunerados pelo Município”, apontou.

 

População – Os munícipes presentes no Legislativo também tiveram a oportunidade de fazer perguntas à representante da Ação Social. Uma cidadã questionou quais medidos têm sido tomadas no campo preventivo, no sentido de evitar o surgimento de mais pessoas em situação de risco. Roseli Marini argumentou que sua pasta promove ações de capacitação, com cursos profissionalizantes e outras iniciativas que permitam aos participantes obter emprego e renda.

Comentários

Na verdade a fala da Roseli Marini confirmou 10 moradores de rua em Piedade, sendo que 06 destes tem endereço fixo em Piedade.

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