Temporal atinge áreas entre Liberdade e Paulas e Mendes

A maior concentração de propriedades prejudicadas em Piedade pela chuva de granizo na tarde de 16 de novembro ocorreu na região localizada entre os bairros da Liberdade e Funil, principalmente nas proximidades do Kaikan. Uma delas é a do produtor de morangos Donizete Menino de Camargo, cunhado de Gilson. De acordo com filho do lavrador, Donizete Júnior, a quase totalidade dos 5.200 pés de Camino Real Chileno que cobrem cerca de um hectare foi afetada. As pedras machucaram os frutos de todos os tamanhos, incluindo os que seriam colhidos no dia seguinte. Já as hastes das flores que estavam em vias de frutificar foram cortadas e também se perderam. Com isso, o sítio deverá ficar sem colheita durante aproximadamente um mês.
 
Para o jovem, trata-se de uma coincidência infeliz. Segundo ele, a falta do produto está acontecendo justamente no momento em que os preços estão melhorando. Até poucos dias atrás, a caixa com quatro cumbucas, pesando cerca de 1,2 kg, era vendida entre R$ 4 e R$ 5, mas, nesta semana, atingiu a media de R$ 6 a R$ 7.
 
A poucos metros da plantação de Donizete, outro agricultor que lamenta as consequências do temporal é Sandro Komauer. Ele foi surpreendido pelo granizo às vésperas de comercializar uma grande quantidade de coentro. No caso dele, no entanto, não houve perda total, apenas atraso na safra. “Eu iria colher amanhã [18 de novembro], agora vou ter de esperar as plantas se recuperarem, para conseguir cortar na semana que vem”, comentou. Nesta terça-feira (22) a cotação do engradado com 12 maços na Ceagesp de São Paulo variava de R$ 43 a R$ 67.
 
Cultivo de risco
 
O agrônomo Bruno Matsuo concorda com Gilson sobre os riscos que envolvem a maioria das culturas em Piedade nesta época do ano. Segundo ele, a região é propícia a alguns fenômenos capazes de provocar grandes prejuízos aos lavradores. “Entre junho e junho, são comuns as geadas; agora, na primavera, o grande perigo é representado pelas chuvas de granizo”, esclarece. 
 
De acordo com o engenheiro da Casa da Agricultura, as chuvas de pedra são mais comuns em dias muito quentes. O granizo é formado em nuvens cumulonimbus, que ocorrem a grandes altitudes e, portanto, ficam sujeitas a temperaturas baixíssimas. A água evaporada congela rapidamente, formando pedras que podem variar de 0,5 a 5,0 centímetros. Pelo fato de chegarem ao solo com considerável força, amassam carros, quebram vidros, furam tetos e, claro, destroem plantações.
 
A legislação piedadense não prevê qualquer ajuda ou benefício aos agricultores prejudicados por fenômenos naturais. Em 2012, após uma ocorrência semelhante à da semana passada, o então prefeito Geremias Pinto (PT) apresentou projeto de lei propondo desconto nos serviços da Patrulha Agrícola para lavradores atingidos. A ideia, no entanto, nunca saiu do papel.

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