Tirso Moraes vence Sul-Americano de Karate

O piedadense Adilson Aparecido de Moraes, o “Tirso” sagrou-se campeão sul-americano de karate. O título foi conquistado no dia 27 de agosto, em torneio disputado na cidade de Cajamar. Faixa preta 1º dan, o atleta fez três lutas pela categoria Absoluto Médio. Na ocasião, ele também ficou com a medalha de bronze na categoria kata. Promovido pela federação Kyokushin, o evento reuniu lutadores do mais alto nível. “Os caratecas da Kyokushin costumam ser muito fortes e duros. Concentrei-me na técnica e em não desperdiçar golpes”, comenta Tirso, que teve a orientação do shihan (mestre) Waguinho Takeshi.
 

Lutas – A estratégia deu certo. Após vencer a primeira luta por W.O., o piedadense nocauteou o adversário seguinte com uma joelhada no queixo. O segundo combate efetivo foi decidido com um contundente chute desferido na coxa do oponente, tirando-o da disputa. A grande final reservava uma surpresa para o lutador. Ele enfrentou ninguém menos que Wendler Rodrigues, atleta da casa e apontado como favorito do campeonato. “Eu só fui saber que ele era o grande nome do torneio, quando subi no tatame”, conta o rapaz. “Era um sujeito muito forte e que batia encaixado e doído”, completa. Além da força e do nível técnico, Wendler fizera uma luta a menos e, por consequência, encontrava-se em condições físicas bastante favoráveis.

O embate durou longos sete minutos, sem intervalo. Segundo Tirso, árbitros laterais apontavam empates entre ele e Wendler e a disputa corria o risco de ir para a balança. Pelas regras do karate, no desempate por peso vence o que estiver mais leve. Pesando cinco quilos a mais que o oponente, o lutador de Piedade soube que precisava virar o jogo. A saída foi reunir forças para uma explosão de golpes contra o adversário. “Eu bati mais. Fui pra cima dele e o Wendler travou, nem se mexia. Com isso, consegui pontuar e decidir o combate”, diz Tirso.
 

Adversidades – A vitória no Sul-Americano de Cajamar emocionou o lutador e marcou um brilhante retorno ao karate. “Após 12 anos no esporte, eu havia desanimado e desistido. Não participava de competições, estava desmotivado”, confessa o atleta. “Sempre tive foco em ser campeão e, agora, finalmente aconteceu”.

O tempo de preparo para a disputa também foi exíguo. O convite para lutar em Cajamar foi inesperado e em cima da hora. Havia, também, outro problema: o evento era promovido por confederação diferente da qual o carateca é afiliado, a Shinkyokushin. “Fui até o shihan Waguinho e pedi autorização para lutar no torneio da Kyokushin. Ele disse que eu estava liberado para participar, porém, deveria ir para vencer”, lembra o campeão.

Com a autorização, Tirso Moraes teve pouco mais de um mês para fazer os treinos – tempo bastante exíguo para uma empreitada da magnitude de um campeonato sul-americano. “Eu estava contra o relógio e tive de fazer um dia virar dois”, afirma, sem esconder a emoção. “Dobrei meus treinos no tatame na musculação, apostei na resistência e levei meu corpo ao limite. Foi sofrido, mas deu resultado”, conclui. 

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