Transporte de pacientes recebe novas denúncias

Prefeitura garante que frota passa por manutenção semanal
O transporte de pacientes piedadenses para unidades de saúde de outros municípios continua sendo alvo de críticas e reclamações. Novas denúncias contra o serviço executado pela Prefeitura e pela Santa Casa de Misericórdia chegaram à Folha de Piedade depois da manifestação da usuária Maria Batista Domingues, na semana passada, sobre a precariedade dos veículos e o suposto despreparo de alguns motoristas. Uma das queixas mais comuns é a demora na remoção de pós-operados. Denunciantes dão conta de casos em que as pessoas aguardam até 24 horas nos corredores de hospitais de Sorocaba, Itu ou Salto para retornar às suas casas após receber alta.
 
O servidor municipal Carlos Roberto de Oliveira, que trabalha como vigia, atribui à Santa Casa local a culpa por inúmeros contratempos registrados após as 15h. Segundo ele, o hospital local é responsável pelo gerenciamento das ambulâncias no final da tarde e durante a noite. “Ela [Santa Casa] assinou contrato com o governo e recebe um bom dinheiro para realizar esse trabalho. Só que não cumpre a obrigação”, dispara.
 
Carlos garante que sua revolta com o atendimento prestado pelo hospital não é gratuita. Ele conta que sofreu o problema na própria pele, no dia 7 de julho, quando sua esposa, Célia, foi “esquecida” no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Salto, a 80 quilômetros de Piedade, após ser submetida a uma operação para retirada de varizes. Segundo ele, somente depois de mais de oito horas de telefonemas, promessas não cumpridas e adiamentos sucessivos, a funcionária responsável pelo setor informou que o transporte não seria feito. Desesperado pela situação incômoda e com as dores suportadas pela mulher, ele teve que apelar à ajuda da família a fim de custear um táxi e, finalmente, trazer a companheira de volta. 
 
Outra história angustiante 
 
Os momentos de angústia e incerteza vividos pelo casal piedadense Carlos Roberto e Célia de Oliveira em Salto foram relatados em carta entregue ao coordenador do setor de transportes, Sérgio Aparecido do Amaral. “Para eu e minha esposa, não vai resolver nada, porque nós já passamos pela dificuldade”, declarou ele ao entregar uma cópia do texto ao jornal. “O que nós queremos é evitar que outras pessoas tenham que enfrentar o mesmo que nós”, esclarece.
 
No ofício, o denunciante se identifica e informa o número do documento de identidade antes de narrar os pormenores da ocorrência, No final ele pede providências. “Não acho correto que algo previamente combinado seja tratado com tamanho descaso por parte da Santa Casa”, ressalta. 
 
Carlos menciona que o transporte entre o Ambulatório Médico de Piedade e o Ame de Salto transcorreu sem problemas, tendo a cirurgia começado às 6h, como estava agendado. No entanto, “na hora do retorno tudo deu errado”.
 
De acordo com o vigia, a chefe de enfermagem do AME se comunicou previamente com o setor de transportes da Santa Casa de Piedade para informar que a alta de Célia ocorreria às 16h30. Mesmo assim, nenhum veículo teria sido enviado para levá-la de volta. “Eles disseram que não haveria problemas, mas houve”, lamenta.
 
O denunciante revelou que o responsável pelo setor de ambulâncias da Prefeitura já o informara de que após as 15h a gestão do transporte de pacientes cabe à Santa Casa. Por conta disso, telefonou para os filhos, que se encontravam em Piedade, e pediu que eles entrassem em contato com o hospital para confirmar se uma ambulância estava mesmo a caminho de Salto. Para surpresa geral, a funcionária do hospital alegou que desconhecia o pedido de transporte para Célia. Ela teria dito que a remoção de pacientes não é obrigação da Santa Casa. “Isso foi, no mínimo, estranho”, retrucou Carlos, lembrando que o AME já havia entrado em contato direto com a Santa Casa de Piedade e comunicado a liberação da paciente.
 
Apesar da negativa do hospital, os filhos do casal insistiram na realização do transporte por meio de ambulância. Enfim, eles receberam a promessa de que uma viatura sairia de Piedade com destino a Salto por volta das 19h, após a troca de turno dos funcionários.
 
O alívio, no entanto, durou pouco. Às 20h30, ainda sem notícias do veículo, Carlos telefonou novamente para a Santa Casa. “A história já tinha mudado novamente”, relata o marido de Célia. Agora, a informação era de que a remoção não aconteceria. “Disseram que as ambulâncias tiveram que atender emergências e, por isso, não iriam mais a Salto, buscar minha esposa”, resume.
 
Mesmo sem dispor de dinheiro no momento, Carlos adotou a única opção para evitar que o sofrimento da esposa recém operada prosseguisse por mais tempo: chamar um táxi. Por conta do horário – quase meia-noite – não encontrou carros disponíveis em Salto. Entro em contato com os filhos novamente e pediu que eles contratassem um carro de aluguel de Piedade para se deslocar até a cidade onde esposa convalescente e ele aguardavam. Às 2h25 da madrugada, Carlos e Célia finalmente entravam na residência. Só que, para isso, a família teve que se cotizar e desembolsar R$ 300.
 
“Se fosse somente o meu caso, talvez não fizesse questão e divulgar. Mas uma enfermeira do Ame garantiu que situações semelhantes acontecem frequentemente com pacientes de Piedade”, justifica. 
 
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