Venda direta aumenta lucratividade dos lavradores

Darci, do Sarapuí dos Luz: “Quem ficar na mão dos atravessadores vai morrer no ninho”
Muitos agricultores familiares de Piedade já estão dedicando parte do seu tempo à comercialização direta de verduras, legumes e frutas que cultivam. Por experiência própria, eles perceberam que encurtar a distância entre a roça e o consumidor é um caminho viável para melhorar a renda e se manter na atividade. 
 
De acordo com exemplos reais coletados nesta semana pela Folha de Piedade, a simples eliminação de intermediários no processo pode significar aumento de até 100% no faturamento. Outra boa notícia é a ampliação das alternativas para atingir o mercado, como os centros de abastecimento, as feiras noturnas, comunitárias ou livres e até mesmo as recém-surgidas feirinhas de condomínios.
 
“Quem continuar dependendo apenas dos atravessadores vai acabar morrendo no ninho”, prevê Darci Antônio de Moraes, lavrador de 41 anos residente no bairro Sarapuí dos Luz. Ele conta que “abriu os olhos” para essa ameaça há cerca de há 10 anos e resolveu buscar uma saída, ao invés de continuar apenas reclamando. “Graças a Deus eu acordei na hora certa”, diz, em tom de comemoração, enquanto dividia a atenção entre a reportagem e os clientes que não paravam de chegar ao seu boxe no Ceavo (Centro de Abastecimento de Votorantim), na tarde de 26 de setembro. 
 
Darci relata que, como a maioria dos pequenos agricultores, sempre trabalhou muito, cultivando o sítio de um alqueire com o maior número possível de produtos, pensando em garantir o sustento da família. Mesmo assim, até meados de 2007, o pouco que sobrava no bolso – “quando não dava prejuízo” – era suficiente apenas para cobrir as despesas com a própria lavoura. Por sorte, alguém falou para ele sobre a “Feira dos Sem-Terra”, nome pelo qual era conhecido na época o Ceavo, e resolveu fazer uma última tentativa. “Foi o que me salvou”, admite emocionado.
 
Desde então, Darci passa as tardes de terça, quinta e sábado no terreno do Jardim Tatiana, onde está localizado o Ceavo, para vender a maior parte da sua produção aos mercadinhos, sacolões, restaurantes e até redes de varejistas vindos de 28 municípios da região para se abastecer diretamente “na fonte”. 
Indagado se vale a pena se ausentar da roça em três tardes por semana, o lavrador do Sarapuí dos Luz responde comparando o faturamento obtido por caixa de 20 kg de chuchu em duas situações diferentes naquele mesmo dia: R$ 20,00 para entregar na armazém de um intermediário, contra R$ 40,00 na central votorantinense.
 
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