Vereador quer abrir investigação sobre “Predinho de Tadeu”

Imóvel teria sido alugado a médicas pelo filho do Prefeito; caminhão e funcionários públicos fizeram a mudança, em horário de serviço

Para o vereador Maurinho Machado (PT), a Câmara deve abrir procedimento para investigar o uso de recursos públicos em serviço prestado a duas médicas que alugaram apartamento pertencente à família do prefeito José Tadeu de Resende (PSDB). A Prefeitura cedeu um caminhão e funcionários da Garagem, em horário de expediente, para fazer a mudança dessas profissionais. Além disso, o dinheiro da locação do imóvel é repassado a elas pelo Município e, nesse caso, retorna aos bolsos dos parentes do chefe do Executivo.

A situação foi retratada em matéria publicada pela Folha de Piedade. Na sessão de ontem, segunda-feira (5), Maurinho mencionou a reportagem, definindo-a como uma denúncia contra o prefeito. “Esta Casa (Câmara) tem de tomar providências para apurar esse fato”, afirmou.

O vereador petista comentou que pretende protocolar requerimento, no qual solicitará informações para melhor esclarecer o episódio. “As médicas têm todo direito ao auxílio moradia, isso é indiscutível e totalmente justo”, destacou. Mas, segundo ele, o fato de ter ocorrido uso de recursos da Administração e da propriedade do imóvel estar relacionada à família de Tadeu deve ser apurado a fundo.

 

Afronta à lei? – Em sua fala, Maurinho citou a Lei Orgânica municipal, cujo artigo 55 enfatiza: o prefeito e o vice-prefeito não podem, desde a posse e sob pena de perder o mandato, firmar ou manter contrato com o Município e suas autarquias.

Ainda de acordo com a legislação, também é vedado aos agentes do Executivo exercer função remunerada ou ser proprietário, diretor ou controlador de empresas que gozem de favores recorrentes de contratos celebrados com a Prefeitura.

 

Defesa – O discurso de Maurinho Machado foi rebatido pelo presidente do Legislativo, Camarão Prestes (PSD), que minimizou a situação para sair em defesa da Prefeitura. “Fazer esse puta barulho por causa de um caminhão descarregar mudança?”, desdenhou. “Se eu soubesse que seria assim, botava tudo na minha caminhonete e levava. São médicas, poxa vida, precisamos delas para ajudar a população”.

Camarão também tentou minorar o fato de o dinheiro público investido no aluguel retornar para a família do prefeito Tadeu. “O apartamento, seja de quem for, isso não quer dizer nada”, aliviou. “Se existe dúvidas, vamos esclarecer, mas, o que eu sei sobre essa situação é isso”, concluiu.

Ao final da sessão, Camarão foi visto a conversar com um funcionário público sobre o episódio. “Estão tentando fazer uma tempestade em copo d’água”, reclamou o vereador. “É tudo picuinha”, disse o servidor.

 

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